Saúde 4.0: a revolução entre conexão e inteligência nos cuidados na saúde

saúde 4.0
10 minutos para ler

No mundo todo os cuidados médicos vêm passando por uma verdadeira revolução devido ao crescente uso de inovações tecnológicas. Graças ao avanço em áreas como tecnologia de comunicação e inteligência artificial na saúde, há um grande volume de dados e processos sendo gerados todos os dias; desencadeando novas descobertas, abordagens, informações sobre doenças, novos medicamentos, dispositivos médicos e tratamentos antes inimagináveis. Tudo isso nos coloca diante do paradigma chamado “Saúde 4.0”. 

Trata-se de um contexto em que registros eletrônicos de saúde, monitoramento de sinais vitais e dispositivos vestíveis (wearables) convergem para a melhoria na qualidade do atendimento, segurança do paciente e nos resultados dos cuidados com a saúde. 

De acordo com Mariana Perroni, diretora médica de Inovação e Saúde Digital do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em coluna assinada com o blog Veja Saúde: Vivemos um momento único, a quarta revolução industrial, marcada pela incorporação e pela democratização de novas tecnologias. Nossos smartphones ostentam hoje mais capacidade computacional que a encontrada no maquinário da Nasa que levou o homem à Lua na década de 1960.

O conhecimento médico levava 50 anos para dobrar até 1950. Em 2010, isso passou a acontecer a cada três anos. Em 2020, o volume de dados em saúde começou a dobrar a cada dois meses e meio. Se juntarmos toda a informação de saúde que um indivíduo gera ao longo da vida (exames, consultas etc.), teríamos o equivalente ao conteúdo de 300 milhões de livros. 

Neste texto, você vai entender um pouco mais sobre esse momento, seus benefícios e desafios.

O que é Saúde 4.0

A Saúde 4.0 é, resumidamente, um conjunto de práticas com novos dispositivos e processos que integram Tecnologias de Comunicação e Inteligência com o setor dos cuidados com a Saúde. Outros nomes usados para esse modelo são Healthcare Industry 4.0, Medicina 4.0, Health 4.0 e Saúde Digital.

“O Health 4.0 pode ser definido como a implementação de plataformas integradas de saúde com progressivos serviços virtualizados, distribuídos e em tempo real para pacientes, profissionais e prestadores de cuidados formais e informais”, afirma o estudo “Health 4.0: On the Way to Realizing the Healthcare of the Future”.

De acordo com o artigo, a Saúde 4.0 envolve “permitir a integração, compartilhar e otimizar o uso de recursos de serviços de saúde, profissionais e gerenciamento de sistemas para operações aprimoradas e custos reduzidos”. O Health 4.0 pode ser estendido para aprimorar todos os aspectos do sistema de saúde e toda a sua cadeia de valor.

O estudo aponta uma previsão em que os gastos com saúde devem chegar a US$ 18,28 trilhões em 2040 e que, por isso, é necessário “utilizar tecnologias e conceitos apresentados pela Indústria 4.0 para aumentar a eficácia e eficiência em todas as direções”, ou seja, implementar a Saúde 4.0”.

Saúde 4.0 no Brasil

No Brasil, a chegada da Saúde 4.0 enfrenta os desafios derivados das dimensões continentais do País e da imensa disparidade social e econômica tanto entre regiões, como no próprio território dos estados e municípios. 

Em termos governamentais, a estratégia de e-Saúde para o Brasil foi criada em 2017 e se baseia no National eHealth Strategy Toolkit, da Organização Mundial de Saúde (OMS). A construção desta visão levou em conta, também, os avanços obtidos pelos projetos que compõem o Programa Conecte SUS, tais como a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e o Programa de Apoio à Informatização e Qualificação dos Dados da Atenção Primária à Saúde (Informatiza APS)

Para se ter uma ideia da complexidade, somente 7 hospitais do país são considerados 100% digitais, segundo a Healthcare Information and Management System Society (HIMMS). São eles: 

  • Unimed Recife III (PE); 
  • Hospital Márcio Cunha, de Ipatinga (MG); 
  • Unimed Volta Redonda (RJ);
  • Hospital Santa Paula (SP); 
  • Beneficência Portuguesa (SP); 
  • Beneficência Portuguesa Mirante (SP);
  • Hospital Dr. Miguel Soeiro da Unimed Sorocaba (SP).

Para entrar na lista, os hospitais têm de cumprir os seguintes critérios: prontuário eletrônico do paciente (PEP); sistema integrado com laboratórios e clínicas de exame de imagem; prescrição de exames informatizados; disponibilização online de resultados de exames; uso de imagens digitais, PACS, no lugar do filme radiográfico; integração entre todos os departamentos do hospital; ferramentas de Big Data e BI para tomada de decisão; e construção de uma jornada do paciente digital.

O que cada tecnologia pode trazer à saúde?

Como pode-se imaginar, não estamos falando de uma única tecnologia que compõe a Saude 4.0, mas de um pool de inovações que trazem benefícios diversos aos cuidados com a saúde. Conheça algumas das tecnologias:

Big Data

Nunca antes, na história da humanidade, tantas informações puderam ser coletadas, seja sobre as pessoas ou sobre processos, atividades, reações e etc. Essa avalanche de dados, chamada “Big Data”, quando considerada dentro de hospitais ou clínicas, traz a possibilidade de insights preciosos para a melhoria do atendimento e cuidados com o paciente, maior acesso a informações, atualizações do que acontece no mundo, multidisciplinaridade entre profissionais da saúde, melhor uso de recursos, bem como a assertividade nos tratamentos e condutas.

Cloud Computing

A computação em nuvem nada mais é que um processo em que tanto o registro dos dados que utilizamos como o próprio processamento deixam de ser feitos numa máquina local para acontecerem na internet e, portanto, podem ser acessados de qualquer lugar do mundo.

Para a saúde, isso significa prontuários eletrônicos a um clique, acesso rápido aos dados do paciente e otimização do atendimento, em casos de emergência, por exemplo, onde o tempo é crucial. Nas clínicas e hospitais, isso permite mais agilidade às consultas, diagnósticos mais precisos, redução de custos e maior segurança de dados, questão reforçada inclusive com o advento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Biosensores e wearables

Relógios, implantes, roupas e outros dispositivos permitem agora a obtenção de dados sobre as condições de saúde das pessoas em tempo real. Tudo isso torna possíveis ações como o rastreamento de substâncias no corpo, o acompanhamento de doenças crônicas, a medição de níveis de oxigênio ou álcool e mesmo análises genéticas, inclusive com possibilidades de intervenção imediata.

Realidade virtual

Na medicina, entre as aplicações de realidade virtual, já existem protocolos para a recuperação de pacientes que sofreram traumas ou perderam membros, bem como no tratamento de fobias, dor ou ansiedade. Já na área da formação, estudantes de medicina e profissionais podem treinar procedimentos sem colocar pacientes reais em risco.

Videoconferências

O uso de chamadas por vídeo para teleconsultas e telediagnósticos, inclusive com a pandemia do novo coronavírus, é uma realidade que tende a ser ampliada nos próximos anos. Além da óbvia economia de tempo, a tecnologia permite o acesso a médicos por pessoas com dificuldade de deslocamento, bem como a chegada da medicina a locais remotos, entre outras vantagens.

Para os profissionais, também há avanços significativos. Seu trabalho será facilitado graças a um melhor aproveitamento dos equipamentos, haverá melhoria nos diagnósticos, informações integradas e melhoria da gestão hospitalar. 

Outros benefícios que podemos citar é o acesso a conhecimento atualizado, especializado e certificado; a facilidade para acesso ao ensino a distância de alta qualidade para formação profissional básica e contínua, bem como a facilidade para obtenção de segundas opiniões.

Cuidado reforçado com a Saúde 4.0

Com tantas mudanças, o cuidado com os pacientes também é amplamente transformado na era da saúde 4.0. Isso acontece porque, nesse processo, não só as organizações de cuidados de saúde estão conectadas, mas também todos os equipamentos, inclusive na casa dos pacientes. 

Com a Inteligência Artificial, tornam-se possíveis tratamentos proativos, previsão e prevenção de doenças, a emissão de laudos a distância, medicina personalizada e atendimento aprimorado centrado no paciente, de forma inteligente e interconectada.

Na verdade, os cuidados de Saúde se transformam num sistema ciberfísico equipado com IoT, wearables e todos os tipos de dispositivos médicos, como sensores inteligentes, robôs médicos, etc. Todos são integrados com computação em nuvem, com IA para análise de Big Data, suporte à decisão e interconexão 24/7. Tudo permitindo avanços em diversas frentes, como a prevenção de doenças, o diagnóstico antecipado e monitoramento de tratamentos com uma acuidade antes impossível pelos métodos tradicionais. 

Vale dizer que, antes dessas transformações, a evolução da indústria de TI já havia trazido ganhos significativos ao setor da saúde. Desde a última década, registros eletrônicos de saúde ou médicos (EHR ou EMR) foram compartilhados e concatenados. Numerosas atividades são marcadas com data e hora e registradas no EHR, o atendimento remoto e a telessaúde tornaram-se possíveis. Com tudo isso, as visitas eletrônicas começaram a substituir os encontros face a face. Tudo isso compõe o cenário anterior, denominado Health Care 3.0.

Dicas para acompanhar as inovações da Saúde 4.0 

A saúde é uma área em que a atualização é imprescindível para todos os profissionais. Por isso, para buscar adaptar-se à Saúde 4.0, a principal dica é adaptar sua rotina de forma a ter foco também nas questões de tecnologia. Seguem outras dicas:

  1. Encontre canais de informação confiáveis. Obviamente o blog da Neomed é espaço com constantes novidades no campo da saúde digital, mas não deixe de acompanhar diretamente as informações vindas das associações médicas sobre a Saúde 4.0, bem como do Conselho Federal de Medicina (CFM), Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e o Conselho Federal de Psicologia (CFP). Outro bom canal é a Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS), que traz muitas orientações sobre como utilizar as novas tecnologias em prol dos pacientes.
  2. Acrescente à sua rotina um tempo para ler periódicos e artigos, ou ouvir podcasts, sobre Saúde 4.0. O volume atual de informações já é imenso, mas tende a aumentar.
  3. Informe-se com seus pacientes se eles usam wearables e/ou apps de saúde. Além disso, crie vínculos com seus pacientes, isso permitirá compreender as formas de uso e obter a informação diretamente da fonte.

Por fim, não se esqueça que manter-se atualizado sobre Saúde 4.0 pode significar também um diferencial na sua carreira. Muitos são os espaços que necessitam de profissionais capazes de implementar com eficiência as mudanças que vêm ocorrendo na área dos cuidados com a saúde.

Estrada aberta

Como você pôde perceber, a saúde 4.0 é apenas mais uma etapa de um trajeto que começou lá atrás, quando médicos estavam ainda descobrindo suas primeiras ferramentas. Por isso, seguir as tendências atuais é quase um imperativo. 

Neste sentido, as soluções da Neomed representam um suporte fundamental para a implementação de tratamento de qualidade padrão 4.0.

Conheça a Neomed e faça parte da revolução no diagnóstico das doenças cardiovasculares no Brasil.

Você também pode gostar

Deixe um comentário