Framework de Digitalização na Saúde: Por Onde Começar

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É inegável que hoje os consumidores estão fazendo cada vez mais transações por canais digitais e, enquanto indústrias orientadas ao consumidor estão adotando estratégias mobile-first e plataformas cloud-based, a indústria da saúde tem ficado para trás. A estratégia de saúde digital permanece ainda centralizada nos diferentes tipos de prontuários eletrônicos e dependente de múltiplos fornecedores para uma abordagem de aplicativos, resultando em uma experiência fragmentada e pobre integração de dados. O que isso significa na prática? Ferramentas não intuitivas que falham em suportar decisões e em gerar valor para os pacientes.

Esse atraso digital coloca o setor de saúde em risco, considerando um cenário no qual a digitalização (ou a falta de) determina cada vez mais o sucesso e o fracasso. É imperativo que haja uma atualização para alcançar as tendências digitais orientadas para o consumidor e a expectativa por parte deles.

Entrando no digital com um framework de digitalização de saúde

Organizações podem seguir um modelo de estratégia de saúde digital customizando seus serviços para atender os diferentes sistemas, cada um com seus requisitos únicos e complexos. Através de um framework bem desenhado, é possível integrar tecnologias, dados e fluxos de trabalho reimaginados, de modo a oferecer uma experiência otimizada, com acesso aos dados mais relevantes de forma interativa em um ambiente self-service acessível a qualquer hora e através de qualquer dispositivo.

Para uma transformação digital efetiva, o framework deve suportar quatro objetivos principais:

1. Engajar consumidores de saúde: fornecer acesso a dados e serviços para promover saúde, bem-estar, e tratamentos através de uma ótima experiência self-service, será pré-requisito e ponto de partida para a fidelização.

2. Facilitar os cuidados aos pacientes: a digitalização dos cuidados deve possibilitar as demais equipes a colaborar de forma mais efetiva com pacientes, visando a excelência. Um bom exemplo seria conectar os membros da equipe de cuidados com pacientes e familiares para que trabalhem de forma conjunta e eficiente, aumentando a segurança e a produtividade. 

3. Melhorar os resultados clínicos e operacionais: para facilitar a otimização e a eficiência de custos com os cuidados aos pacientes, as ferramentas digitais acabam favorecendo a análise de dados, criando insights incorporados e um grande suporte à decisão, que por sua vez, melhora tanto os resultados de negócio quanto os resultados clínicos na linha de frente, trazendo mais saúde e bem-estar para as massas.

4. Expandir a organização: uma estratégia digital facilita parcerias, crescimento orgânico, diversificação e inovação, permitindo com que as organizações possam aproveitar a força dessas ferramentas para que mantenha o ritmo das constantes mudanças no ambiente de negócios.

Repensando investimentos em tecnologia para suportar a digitalização de forma efetiva

Para atingir os objetivos da estratégia de saúde digital, os sistemas de saúde precisarão repensar como investem em tecnologia. Os atuais modelos de gastos com tecnologia podem alocar até 90% dos custos não trabalhistas somente para manter sistemas de registro. Esses modelos precisam evoluir para permitir o crescimento estratégico em áreas voltadas para o consumidor, como por exemplo, as abordagens mobile, por voz, chatbots e realidade virtual.

Investimentos eficazes em sistemas de registro que oferecem suporte à digitalização centrada no consumidor devem ser otimizadamente administrados em torno de 65% do total (dos investimentos não trabalhistas) (Figura 1).
É preciso que isso seja uma meta, e, para apoiar essa meta, as organizações devem adotar uma abordagem fundamental de compra versus construção baseada em poucas, porém completamente integradas, parcerias estratégicas como a base dos sistemas de registro.

Figura 1: Framework de Investimento em Tecnologia

Na sequência, os sistemas de saúde precisarão encontrar maneiras de se diferenciar e se manter competitivos. A sugestão é adotar uma abordagem para inovar “nas bordas”, em vez de construir ou personalizar os sistemas fundamentais. A imagem acima mostra como organizações podem salvar capital no nível inferior (sistemas de registro) para possibilitar os demais investimentos na parte central e superior da pirâmide – sistemas de diferenciação e inovação, onde o consumidor irá se engajar de forma direta, gerando oportunidades.

Adicionalmente, a proposta é que o meio da estrutura se concentre mais em soluções SaaS baseadas em nuvem, enquanto o topo siga uma abordagem com ciclo de vida mais curto, possibilitando organizações de testar rapidamente quais ferramentas e serviços orientados ao cliente são realmente efetivos, e assim consigam renovar continuamente de modo a evoluir de forma rápida junto aos ciclos de inovação.

O roteiro para a estratégia de saúde digital: uma estrutura para possibilitar a nova abordagem

Após definir como será a nova estrutura de investimento em tecnologia sob uma ótica macro, precisamos agora desenhar um roteiro mais específico para a estratégia de saúde digital. Tal estrutura, ilustrada abaixo, pressupõe camadas de sistemas de diferenciação e de inovação (interface do aplicativo, gateway API/evento e camadas de sistema operacional de dados) em cima de outras fontes de dados, sistemas de registro, e internet das coisas (sensores, dispositivos etc.). E tudo isso é sustentado pela camada de infraestrutura de TI (computação em nuvem, diretórios, redes, data centers, etc.).

estratégia de saúde digital
Figura 2: Framework da estrutura da abordagem digital

Essa estrutura permite que as organizações tomem decisões conscientes sobre os sistemas de diferenciação e inovação nas camadas superiores. Procure adotar relações fornecedor-parceiro que ajudem a cultivar uma mentalidade de colaboração e ganha-ganha. Essa relação precisa visar o longo prazo e opera na base da confiança e respeito, compartilha o risco inerente da operação e suporta o crescimento de ambos negócios.

Adicionalmente, ao construir essas parcerias voltadas para o desenvolvimento de cada um dos portfólios, convide um influenciador clínico (ou de negócios) para desempenhar o papel de ser “a cara” da iniciativa e, este, emparelhado com o responsável técnico, que estará fazendo o grosso do trabalho nos bastidores, formarão as vozes harmonizadas na liderança da equipe, garantindo que as metas de TI e de negócios estejam conectadas.

Organizações totalmente integradas e com interações digitais baseadas na perspectiva do consumidor tenderão a sair vencedoras da arena competitiva, enquanto as organizações perdedoras serão aquelas que apenas oferecerem aos consumidores uma miríade de ferramentas digitais provenientes dos fornecedores, não integradas, e sem nenhuma coesão.

Referências: 
SMITH, Ryan. A Healthcare Digitization Framework: 5 Strategies. Health Catalyst, 2020. Link.

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