Como manter uma equipe de enfermagem motivada

equipe de enfermagem
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Responsável pelo atendimento direto ao paciente, a equipe de enfermagem exerce papel fundamental para a satisfação do serviço prestado pelas instituições de saúde. Por conta disso, a coordenação de enfermeiros, técnicos e auxiliares por parte dos gestores requer atenção especial para cumprir o desafio de mantê-los motivados.

São esses profissionais os responsáveis, entre outras coisas, por fazer o primeiro contato com os pacientes antes das consultas, prestar atendimento de enfermagem, prescrever medicamentos e zelar pela segurança do internado ao longo de sua jornada dentro da instituição.

A falta de motivação dessas equipes, portanto, pode acarretar em problemas de satisfação por parte dos usuários, e também em problemas ainda mais sérios, já que se trata de uma função que atua diretamente no cuidado às pessoas.

Erros na prescrição de medicamentos ou no preparo do paciente para consulta e exames, falhas no serviço de higiene, conforto e alimentação, além de descaso e falta de empatia estão entre as ameaças de uma equipe de enfermagem insatisfeita.

Mas, afinal, o que fazer para manter o corpo da enfermaria motivado e evitar situações como essas? 

Valorizar equipe é ação fundamental, diz coordenadora de emergência

Para a enfermeira Camila Voigt Ferreira, coordenadora da Emergência Geral do Hospital Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, a tarefa não é simples, mas passa, necessariamente, pela valorização da equipe.

“Para manter a equipe de enfermagem satisfeita e motivada em um ambiente como a emergência de um hospital – que é o meu caso -, a gente tem que saber apontar sempre os indicadores positivos de cada profissional, fazer com que eles sintam que o trabalho está sendo reconhecido e valorizado. Um elogio, por exemplo, que é algo simples, e que a gente muitas vezes esquece, pode fazer toda a diferença”, ressalta Camila.

No Hospital de Tramandaí, Camila Voigt Ferreira coordena uma equipe de mais de 60 profissionais, entre técnicos, auxiliares e enfermeiros. A unidade é referência em atendimentos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) para 11 cidades da região, e hospital-referência de atendimentos em geral para quatro municípios do Litoral Norte gaúcho.

“Em um ambiente hospitalar, a gente lida com casos complexos, com muitos pacientes críticos, com mortes, então é um ambiente muito pesado por si só. Acredito que, por conta disso, a motivação das equipes de enfermagem tem que ser quase que diária. A gente tem que cobrar quando necessário, mas não pode esquecer o lado humano. Além da valorização, a atuação dos gestores também inclui gerir conflitos entre os profissionais, a fim de manter a harmonia da equipe e impedir que o trabalho seja prejudicado”, complementa a coordenadora da Emergência Geral do Hospital Tramandaí.

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Desgaste psicológico está entre principais queixas dos profissionais

O foco total na experiência do paciente é a chave para o sucesso da prestação do serviço hospitalar, o que só é possível com o trabalho conjunto de equipes preparadas e motivadas para desempenhar suas funções. No caso da enfermagem, os gestores devem estar atentos ao desgaste emocional das equipes.

Uma pesquisa divulgada pelo Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) no ano passado mostrou que 84% dos enfermeiros e 74% dos técnicos de enfermagem no Brasil apresentavam Síndrome de Burnout –  um distúrbio psíquico de caráter depressivo, que é precedido de esgotamento físico e mental intenso. 

A pesquisa foi realizada já durante a pandemia de Covid-19, que pressionou o sistema de saúde em todo o país e aumentou ainda mais o desgaste dos profissionais.

Além do desgaste físico e psicológico, as principais reclamações da equipe de enfermagem incluem ainda baixos salários, ambiente desfavorável, risco ergonômico e relações interpessoais propensas a conflitos. 

Em geral, problemas como esses estão relacionados à baixa produtividade, falta de comprometimento e falta de engajamento com a instituição. 

Boas práticas para gestão manter a equipe de enfermagem motivada

Para reverter essa situação é preciso que haja diálogo entre gestor e líderes, a fim de que os problemas possam ser identificados e as soluções, encaminhadas. 

Abaixo, alguns exemplos de boas práticas para a motivação das equipes:

  • reconhecer o bom trabalho;
  • valorizar as ideias e sugestões;
  • traçar metas claras e inteligente;
  • promover a integração da equipe;
  • oferecer um ambiente de trabalho confortável;
  • providenciar formações complementares;
  • garantir suporte material e tecnológico.

Além disso, também é importante que a instituição de saúde transmita aos membros da equipe de enfermagem o que se espera de cada um de acordo com os cargos que possuem. 

Essas práticas irão contribuir para a motivação dos profissionais e a obtenção dos resultados esperados, e podem se refletir ainda em aumento da produtividade, maior comprometimento dos profissionais, controle de afastamentos médicos e redução de processos trabalhistas. 

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