Case Hospital Azambuja: como o projeto Telecardio I.A acelerou o diagnóstico de Infarto utilizando o hub Kardia da Neomed

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Com 119 anos de atuação, o Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux, o Hospital Azambuja, como é conhecido e chamado pela população, é o principal hospital da região de Brusque, Santa Catarina, atendendo pacientes de todo o entorno: Itajaí, Gaspar e Tijucas. 

Hoje o Hospital Azambuja conta com 550 colaboradores e aproximadamente 150 médicos em seu corpo clínico. Desta forma, pode-se dizer que é a maior empresa na área de saúde de Brusque. O Azambuja atende inúmeras especialidades, como cardiologia, nefrologia, neurologia, além de ala cirúrgica, maternidade e pediatria. 

No total são 170 leitos – destes, 39 são da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de 50 leitos na enfermaria de clínica médica. Em 2020, o Azambuja instalou 29 leitos de UTI Covid, sendo 22 para atendimento via Sistema Único de Saúde e sete leitos para atendimentos por convênio. Além disso, destinou 70 leitos de internação da clínica médica, para pacientes Covid, em uma área isolada dos demais leitos hospitalares.

Hospital Azambuja em números 

Hospital Azambuja
* Pelas internações da Cardiologia até o momento, temos uma média de três pacientes por dia internados com Infarto, cerca de 90 pacientes por mês (números aproximados)

O Hospital Azambuja é a porta de referência de urgência e emergência que abraça toda essa região de Brusque. Hoje atendemos cerca de 5.500 consultas por mês, entre Pronto-Socorro e Ambulatório. Cada vez mais o hospital está se reestruturando em parcerias com universidades, estudos e protocolos, a ser referência de urgência e emergência, reeducando as pessoas para que procurem os locais corretos para terem uma melhor resolubilidade nos atendimentos”

Dr. Rafael Bernardi Franceschetto, Coordenador Médico do Pronto-Socorro e Ambulatório.

O Dr. Antônio Lanna, especialista em clínica médica e coordenador da residência do Hospital, é o responsável por promover a criação de protocolos e padrões médicos no local. Conversamos com ele para conhecer os motivos pelos quais optaram pela implantação do projeto Telecardio IA, da Boehringer Ingelheim, em parceria com a Neomed, através do hub Kardia, que une medicina e tecnologia para detectar com rapidez doenças do coração, acelerar o diagnóstico e salvar mais vidas no atendimento à emergência hospitalar. 

Confira no Blog Post de hoje todos os detalhes sobre como tem sido a implementação do Kardia no Azambuja e os principais desafios e resultados alcançados. 

Desafios na Gestão do Paciente Agudo 

O Azambuja recebe diariamente cerca de 400 pacientes para atendimento no Pronto-Socorro. Uma parcela desse número são aqueles que apresentam sintomas de doenças cardiovasculares, como dor torácica. É senso comum entre os médicos que cada minuto faz a diferença no atendimento médico desses casos. “Tempo é músculo”, diz o Dr. Lanna. Isso significa que quanto antes o médico no local entrar com o protocolo de atendimento, mais chances de se ter um desfecho positivo para o paciente. 

As Diretrizes do Protocolo de Dor Torácica definidos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia incluem a realização do Eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações, sendo esta a primeira ferramenta diagnóstica no manejo de pacientes com Síndrome Coronariana Aguda (SCA) suspeita, vulgo Infarto. “Idealmente, deve ser realizado e interpretado no atendimento pré-hospitalar ou em até 10 minutos após a admissão hospitalar”, determina a diretriz. 

Eletrocardiograma: Sumário de recomendações e evidências

Hospital Azambuja
Fonte: Nicolau et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST, 2021.

Infelizmente, realizar o ECG após a admissão hospitalar e obter um diagnóstico em 10 minutos é a realidade da minoria dos hospitais brasileiros. 

Uma das nossas dificuldades era não ter registro dos eletrocardiogramas utilizados e um controle dos diagnósticos e saúde populacional relacionados às doenças do coração. Além disso, existia uma dificuldade no acesso aos eletros realizados, pois eles ainda eram armazenados de forma física.

Dr. Antônio Lanna – Especialista em clínica médica e coordenador da residência do Hospital Azambuja

Antes da introdução do projeto Telecardio I.A. e do hub Kardia no Hospital Azambuja não havia um laudo assinado e registrado dos Eletrocardiogramas (ECGs). Ou seja, não havia uma avaliação fidedigna para saber se o exame estava normal ou anormal. Os exames somente eram avaliados pelo médico que o solicitava. Se houvesse alguma dúvida, o Hospital entrava em contato com o cardiologista de sobreaviso. Esse profissional que acabava dando suporte para avaliação do eletrocardiograma.

Em resumo, antes da implantação do projeto Telecardio I.A., com o hub Kardia no Hospital Azambuja, a equipe médica enfrentava problemas, como: 

  • Dificuldade em acessar e realizar a análise dos Eletrocardiogramas realizados, já que eles eram armazenados fisicamente, sem uma gestão centralizada dos exames e laudos;
  • A análise dos ECGs era realizada por um cardiologista em sobreaviso sem um padrão de tempo de resposta estabelecido;
  • Dificuldade em realizar o controle da saúde populacional relacionada às doenças do coração;
  • Informação sobre os exames cardiológicos descentralizada, dificultando o acesso de diferentes atores da equipe médica. 

Com o Kardia e a implantação do projeto Telecardio I.A., este cenário mudou drasticamente e o Hospital Azambuja passou a ter o controle de todos os pacientes que dão entrada no hospital com dor torácica, conseguindo quantificar o número de Eletrocardiogramas realizados em uma única plataforma, centralizada. Conheça a seguir os benefícios alcançados. 

Diagnóstico e tratamento mais rápidos aos pacientes com dor torácica

“Só ganhamos com a implantação do projeto em nosso hospital”, comenta o Dr. Lanna. A solução foi implantada no Azambuja em 22 de junho de 2021 e, em apenas cinco meses, os cardiologistas da Neomed aliados à plataforma de telediagnóstico analisaram 1.471 ECGs no total, emitindo o laudo em no máximo 10 minutos.  Nos casos críticos, os laudos são emitidos em 5 minutos, atendendo ao Protocolo de Dor Torácica da Sociedade Brasileira de Cardiologia. 

Projeto Telecardio I.A e hub Kardia no Azambuja 

Dados analisados até o dia 23/11
*SLA Exames críticos: são considerados exames críticos aqueles em que a Inteligência Artificial do Kardia sinaliza que o exame está “anormal” + laudo médico de Infarto Agudo do Miocárdio com Supra (IAMCSST). 

“Contratamos o projeto Telecardio I.A., e a solução Kardia, da Neomed, para poder conseguir melhorar o atendimento da população que sofre de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). E, em parceria com a Boehringer Ingelheim, conseguimos entrar rapidamente com a medicação trombolítica, que tem maior eficácia quando aplicada nos primeiros 10 minutos de pacientes com IAM”, diz o Dr. Lanna.

Se levar muito tempo para a entrada do medicamento, o paciente deixa de ter o benefício de receber o trombolítico, o que aumenta as chances de morte ou de sequelas graves cardíacas.

“É um ganho enorme contar com a Boehringer Ingelheim e a Neomed para conseguirmos acelerar o diagnóstico de Infarto com Supra. Assim, conseguimos diminuir a mortalidade e melhorar a sobrevida e diminuição dos impactos da doença”, enfatiza Lanna. O médico também destacou mais benefícios do Kardia, destacados a seguir:

Benefícios do Projeto Telecardio I.A e Kardia no Azambuja: 

  • Segurança médica: a inteligência artificial do Kardia fornece um pré-laudo em 50 segundos sinalizando se o exame está normal ou anormal. “Isso dá mais segurança na hora de conduzir o caso”;
  • Diagnóstico rápido: obter um laudo médico por um cardiologista em 5 minutos é um grande diferencial para um desfecho positivo no caso de IAM;
  • Compensações Financeiras: obter o laudo do ECG por um cardiologista nos ajuda a documentar melhor, a pleitear as compensações financeiras do SUS e dos convênios;
  • Protocolo de Dor Torácica: o projeto Telecardio I.A., com o hub Kardia, dentro do nosso hospital nos impulsionou a ter mais segurança no desenvolvimento do protocolo aos pacientes com dor torácica.
  • Laudo rápido: na grande maioria dos exames conseguimos identificar em no máximo 1 minuto se é normal ou anormal. Antes não sabíamos o tempo certo para ter uma definição se estava normal ou anormal, dependia do plantonista;
  • Indicadores Fidedignos: outro benefício é a capacidade da plataforma Kardia proporcionar indicadores fidedignos; 
  • Documentação e Acesso aos eletros realizados: conseguimos documentar melhor os exames realizados (antes eram armazenados de forma física). “Poder acessar os exames e laudos da nuvem, de todos os computadores, do smartphone, conseguimos ter mais acesso aos pacientes e proporcionar um melhor tratamento”. 

Relato de Caso específico 

“Um dos casos que considero muito positivo foi o caso de um paciente submetido a um eletrocardiograma via plataforma do Kardia no Hospital Azambuja, que teve alta e retornou com um desconforto inespecífico ao hospital alguns dias depois. Como tínhamos o exame armazenado em uma única plataforma, pudemos acessar as informações, comparar com o eletro mais recente e evitamos tratamentos desnecessários no paciente. Pois ele já tinha um eletro com arritmia conhecida, uma alteração com bloqueio de ramo esquerdo e voltou com o desconforto, mas sem alteração do eletro. Acessamos o caso documentado e conseguimos dar o melhor tratamento sem medicação desnecessária. Tivemos melhor controle e domínio sobre o quadro do paciente.” 

Assista ao relato completo do Dr. Lanna, do Hospital Azambuja, sobre o projeto Telecardio I.A. e o Kardia

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