Priorização de produtos digitais em uma healthtech

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Se temos diversos projetos, features ou melhorias para implementar, é necessário definir o que será feito antes do que. Será que existe uma metodologia que funciona para todos os produtos digitais e empresas? Neste post, entenda como funciona a priorização de produtos digitais em uma startup na área da Saúde. E, mais, qual o impacto de priorizar um projeto e deixar outros para depois.

Após sete anos trabalhando com e-commerce, resolvi mudar radicalmente minha carreira e fui contratado para atuar na healthtech Neomed, o que tem sido uma experiência excelente e muito desafiadora! Antes, eu costumava definir as prioridades por comparações entre impacto (retorno financeiro) e esforço (tempo de desenvolvimento), buscando o maior retorno com menor custo. Agora, começando a conhecer a Neomed, percebi que essa lógica não é a ideal, sendo necessário considerar outras variáveis nessa equação. Variáveis que sintetizem o impacto promovido para as vidas de pacientes que passam pelos nossos produtos.

Imagino que seja similar em outras healthtechs e que cada produto tenha as suas peculiaridades. 

Mas, afinal, como priorizar?

Frameworks para priorização de produtos

Existem inúmeros frameworks de priorização, apresentados inclusive em diversos artigos sobre o tema. Com tantas opções, é necessário entender qual, ou quais, melhor atenderão às características de cada produto, ou negócio. E, caso seja válido, por que não organizar seu próprio framework?

Os que mais escuto falar e vejo por aí são a Matriz RICE, a RUT, Kano e Esforço vs. Impacto. Mas, quando comecei a organizar a nossa priorização com algumas dessas, percebi que  o racional não ficava completo e sempre faltava algo devido às características dos nossos produtos. Por isso, decidi testar combinações de algumas metodologias, adaptando seus parâmetros para o nosso contexto, como apresentarei adiante. 

Peculiaridades de cada produto

A maior dificuldade que percebi foi como quantificar o impacto de cada feature. Os conteúdos que encontrei costumam indicar estimativas da quantidade de usuários impactados, do potencial para promover recorrência ou do aumento no spending pelos usuários finais, o que não encaixa tão bem com a nossa realidade. 

No nosso caso, uma feature pode impactar um número pequeno de pacientes e possibilitar desfechos positivos em casos de alto risco e urgência, como nos casos de Infarto Agudo do Miocárdio com Supra de ST. O que torna necessário equilibrar esse tipo de impacto a  outros aspectos mais comuns, como os relacionados à proposta de valor e à experiência dos usuários. 

A verdade é que cada produto terá as suas peculiaridades, o importante é que elas sejam mapeadas e entendidas para se ter uma visão clara sobre o que precisa ser considerado e avaliado e, assim, definir as prioridades. 

Como resolver essa equação?

Acho essa questão muito íntima de cada produto, que depende muito do seu propósito de existir, da sua proposta e perfil de clientes.  Por isso, é importante entender os aspectos que possuem maior impacto em cada realidade e avaliar qual, ou quais, frameworks fazem mais sentido.

Nesse primeiro exercício na Neomed, após um entendimento inicial sobre os aspectos que impactam nos nossos produtos, avaliei algumas opções de framework e a RUT e RICE foram as opções que fizeram mais sentido. Mas, o que são RUT e RICE?

RUT:

Trata-se de um framework de priorização que consolida pontuações dos fatores Relevância, Urgência e Tendência para cada item a ser avaliado. Organizando os itens e os fatores em uma tabela, você pode definir cada nota, com pontuações entre 1 e 5. Existem algumas sugestões sobre como interpretar cada valor e, claro, pode ser adaptado de forma que fique mais coerente para o produto.

A última coluna dessa tabela é o resultado, ou valor, de cada item. Simplesmente a multiplicação das notas de cada fator, quanto maior a nota final, mais priorizado deve ser.

RICE:

Esse é um framework de priorização bem conhecido e indicado. Seu nome se deve aos quatro fatores que utiliza para comparar os itens a serem priorizados, que são: Alcance (Reach) , Impacto (Impact), Confiança (Confidence) e Esforço (Effort). 

Seguem abaixo exemplos de como preencher cada informação, do artigo “O framework de priorização: RICE”, do site Vida de Produto, podendo ser adaptado de acordo com o produto. 

  • R – Reach (Alcance). “Quantas pessoas essa feature vai afetar ao longo de um período de tempo?”
  • I – Impact (Impact). “Quanto essa feature vai impactar um usuário?”
  • C – Confidence (Confiança). “O quão confiante nós estamos a respeito do impacto e alcance?” Quantos dados nós temos para nos ajudar nisso?”
  • E – Effort (Esforço). “Quanto tempo e esforço essa feature vai demandar do time de desenvolvimento, design, produto?”

No caso da RICE, o valor, ou resultado, de cada item é obtido pela multiplicação dos três primeiros fatores (R x I x C), dividido pelo último (E).

Afinal, qual framework de priorização de produtos estamos usando?

Bom, após alguns testes com a RUT e RICE, percebemos que alguns parâmetros não estavam ficando coerentes dentro da equação e um deles poderia derivar do resultado da RUT, então comecei a testar um  RUT-CE, como no exemplo da imagem indicativa abaixo.

Para preencher cada campo, foi importante entender o que cada um deles deveria representar e ponderar de acordo com os nossos produtos. Como exemplo, na parte RUT, “Relevância” indica o alinhamento ao conceito do produto, que no caso do Kardia engloba, entre outras coisas, a boa usabilidade, agilidade da plataforma e o potencial de salvar vidas de pacientes com doenças cardíacas agudas. 

Entendo que o cenário de todo produto muda ao longo do tempo e que isso demanda novas abordagens de priorização, sendo importante refletir constantemente se o modelo adotado realmente está atendendo e o que poderia ser melhorado.

Conclusão

Nesse artigo relatei algumas observações, reflexões e entendimentos sobre minha breve experiência com priorização em desenvolvimento de produtos digitais na Neomed. 

Reforço que essas observações foram realizadas em um exercício inicial, sendo importante manter a reflexão sobre a metodologia utilizada para avaliar oportunidades de melhoria. Além disso, conclui-se que não existe um framework único e ideal, uma solução pronta e inquestionável. A chave está em  entender o que faz mais sentido para cada produto ou negócio, mantendo o foco no que mais importa. No nosso caso, é o paciente, que está sempre  no centro de todas as decisões!

Referências:

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